quinta-feira, 26 de junho de 2008

Bicicletas Assassinas


Regrets a parte, cheguei bem perdida em Amsterdam. Uma passada básica no Tourist Office e pela primeira vez paguei por um mapa da cidade. Um roubo! Mais tarde descobri que poderia ter pego de graça no hostel.
Anyway, tomei um tram (trólebus) em direção ao hostel. Não tinha moedas suficientes para pagar a passagem e pela primeira vez dei uma de pedinte na Europa: “Excuse me, by any chance, do you have 20 cents?”. Vexame! E o pior que a máquina nem aceitou minhas moedas. Conclusão, nem paguei. E com essa confusão toda já nem sabia onde eu estava. Desci no próximo ponto e por sorte, foi o certo. Munida com meu mega mapa de 2 euros fui apresentada a hospitalidade in English dos holandeses: “Do you need any help?” E foi assim que consegui chegar no meu hostel.
O resto foi só alegria e diversão. Conheci vários brasileiros e talvez por isso me senti em casa em Amsterdam.
Aluguei uma bicicleta vermelha com freio no pedal. Enfrentei a bagunça organizada do trânsito da cidade. Me perdi no Red Light District numa noite chuvosa. Fui perseguida por um argentino babaca. Fui salva por uma holandesa fofa. Conheci a liberdade vigiada de Amsterdam. Encontrei gente muito louca e feliz. Vi plantinhas aveludadas e incrivelmente verdes!
Pena que as tulipas florescem só até começo de Maio...


Next stop: Berlin (dessa vez fui de ônibus!).


Sobre ficar velha na Europa...



Como todas as "primeiras vezes" na vida, é impossível evitar as roubadas da estrada. Paguei 117 Euros por uma viagem chechelenta de trem entre Paris e Amsterdam com conexão em Bruxelas. Aliás a crise dos 30 por aqui deve acontecer mais cedo, aos 26, porque o mundo fica consideravelmente mais caro para aqueles que se atrevem a completar o vigésimo sexto aniversário. Como eu cometi esse sacrilégio há algum tempinho (29 com corpinho de 30), programar com antecedência é vital se você pretende economizar alguns (ou muitos!) valiosos euros.
E é aí que o problema começa. Alguém, por favor, me ensina a planejar?!! Morro de inveja de quem consegue. Portanto, acabo pagando mais caro... E também por estar sozinha, desamparada e `as vezes, alienada, acabei me esquecendo do bom e velho busão. Acredita que pagaria apenas 28 Euros pelo mesmo trajeto Paris x Amsterdam?!

AAAHHHHHH! Vivendo, apanhando e aprendendo...

foto: bar em Fribourg, Suíça, no meu aniversário.

Parrrríííí





Com dor no coração por ter perdido o Primavera Sound em Barcelona, parti no vôo mais barato que consegui em toda viagem: Barcelona x Paris (leia-se Girona x Beauvais) por 29 euros (preço final, incluindo as trocentas taxas e a bagagem).
Somada a excitação de visitar pela primeira vez a cidade luz, experimentaria também pela primeira vez o couchsurfing. Trata-se de um website que promove o intercâmbio entre backpackers de todo mundo através da hospedagem for free em sofás alheios.
Conheci o Chris através do CS e “surfei” por 3 noites o seu sofá, com o bônus dele falar Português!

Foi esquisito no começo, dormir na casa de um desconhecido e tudo mais. Entretanto, a aventura de ficar na casa de um local e de viver, de uma certa forma, sua vida por 3 dias foi uma das coisas mais marcantes desta viagem.
Picnic na ponte em cima do rio Sienna. Pôr do sol as 9:30pm. Aprender palavrinhas em francês e ser elogiada pela minha pronúncia. Entender porque Paris é uma festa e me sentir uma convidada. Lembrei muito da minha mãe aqui. Ela adoraria Paris. E quem não adora?

É claro que toda aquela história de que os franceses são meio rabugentos, não gostam de falar inglês e que tudo é muito caro é verdade, but who cares? A cidade te recompensa a cada minuto com beleza, história e classe, muita classe. Só não se esqueça de agradecer em francês:

Merci beaucoup!

foto: Pont des Art; eu no Louvre

PS- fato engraçado é que uma vez dentro do Louvre a gente não soossega até ver a bendita Monalisa. Tipo uma obrigação (geralmente acompanhada de decepção). Mas dá um alívio depois, sabe?! :o)

domingo, 22 de junho de 2008

Enamorada


Primeira cidade na Espanha: Barcelona.
Foi onde ganhei meu primeiro carimbo no passaporte (sim!). Uma semana e três países depois...
E acho que foi onde comecei a me sentir mais forte e confiante.
Cidade onde o inesperado acontece todo o tempo.
Acredita que encontrei um colombiano que conheci em Roma na fila da La Pedrera? Passamos o dia juntos, passeando e sonhando por Barcelona.
A mocinha do hostel era brasileira. Mel, valeu pela dica!!
Coincidências, encontros, desencontros. E ainda tem a praia! Eu moraria...

O catalão é realmente muito diferente do espanhol e difícil de entender, especialmente quando se é fluente no portuñol véio de guerra. Mas o bom é que todos compreendem o espanhol (e o portuñol também!).

Barcelona... caí de amores.

E perdi o show do Portishead... bom, vamos mudar de assunto.

foto: La Pedrera

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Múúúú





Coisa boa ter amigos pelo mundo.

Até a Suíça pode ser divertida com pessoas queridas! :o)

Paisagens incríveis e bucólicas. Ainda tinha neve nos Alpes! E as vacas suíças, então?! Tipo animal de estimação. Saudáveis, limpas e mimosas.

Tirei muitas fotos. Eita lugar fotogênico!

Peps, Pierre, adorei tudo! Muito obrigada pela hospitalidade e carinho.

Nos encontramos em London! :o)

Termini Stazione: uscita lado destro




Depois de 6 horas e meia numa cabine apertada e lotada cheguei em Roma. É claro que não dormi nada porque comprei o ticket mais barato, sem camas na cabine. O pior foi aquele fiscal super grosso conferindo nossa passagem a cada meia hora. Anyway, depois de 4 dias sem praticamente dormir e comendo super mal, estava acabada. Dei de uma volta pela cidade pra esperar o horário do check in no hostel. Me sentia um zumbi. Dormi talvez por 20 horas!
No dia seguinte é que realmente Roma me ganhou.

Gelatos, Vespas, ruínas em todo canto e turistas, muuuuitos turistas!
Outra coisa impossível de não reparar é como os italianos são lindos!!! Dá gosto de se ver, viu?!
Pra não esquecer nunca na vida: a visão panorâmica das ruínas, o coliseu se aproximando a cada passo. Sabe aquilo tudo que a gente aprende na escola, na aula de história geral? History, baby, History. Confesso que fiquei impressionada. Tipo turista deslumbrada. É claro que joguei minha moedinha na Fontana superlotada di Trevi e mandei um postal do Vaticano para minha mãe.

Meu hostel era uma colônia de férias de adolescentes americanos e cia. No fun! Me sentia muito sozinha. Os dias longos que não acabavam nunca. Pôr do sol às 10 da noite. Estranho.
Passava o dia todo andando pela cidade. Meus passos medrosos e eu.
Posso dizer que Roma foi o início do meu desafio pessoal, da minha verdadeira jornada.

Desajeitada, vivi minha Itália intensamente.

foto: playmobil gladiador; eu e o Coliseu

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Mercador de



Venezia!

Conheci um tiozinho brasileiro no trem (sim! meu primeiro trem na Europa) e adorei a história dele. Não é que o cara me ganha a viagem para Milão (para assistir a um jogo do Milan) e mais um mega carrão num desses programas de lance mínimo único da televisão. Eita sorte dus infernus! E eu tive que economizar 3 anos num trabalho escravo pra dar esse meu rolêzinho por aqui...
Enfim, ele estava tão empolgado com a viagem e ao mesmo tempo se sentia tão perdido que me adotou e passamos o dia juntos na linda e um tanto decadente Veneza. E pelos meus serviços de guia (será?) ele me pagou várias coisinhas por lá. Eu, pobre, lógico que aceitei.

Na verdade não sei muito bem o que achei da cidade. Sabe quando você tenta se esforçar para gostar? No início foi assim. Achei meio mal tratada.... Mas depois de me perder entre as ruelas estreitas da cidade, descobri como ela pode ser encantora, especialmente se metade dos turistas afundassem em suas gôndolas. Era difícil arranjar um espaço para foto no meio de tanta gente! E o tio querendo que eu fotografasse cada passo. Comprou pencas de máscaras! E eu pensando: "Não, ele não vai ter coragem de pendurar essas máscaras no escritório!" Pois sim!
E o que é aquele mar sem fim de pombos raivosos e famintos na praça San Marcos???? Medo!

Passei o dia na cidade e resolvi que não dormiria lá (porque hospadagem em Veneza é cara).
Tive que esperar umas 4 horas pelo meu trem que partiria a meia noite com destino a Roma (sim! meu primeiro trem notruno na Europa).

6 horas e meia depois...

foto: cadê minha gôndola?

Ciao bella!


Milano foi a primeira cidade (tirando uma conexão rápida que fiz em Paris). Passei só dois dias e fiquei na casa de uma amiga, então, meio que adiei o choque de estar sozinha no velho continente. Ainda totalmente sem jeito - confusa, hesitante, medrosa; no melhor estilo caipira de Pindamonhangaba.

Primeiras impressões: gente bonita e bem vestida (Milano is all about fashion), pencas de scooters (quero uma Vespa vintage!) e aquele maldito carrinho Smart parado de qualquer forma em qualquer lugar. Ah! Cuidado com suas bicicletas. O povo de lá adora roubar bancos e rodas das bicicletas alheias. Né, Adriana?! :o)

Next step: Venezia.


foto: catedral Duomo, Milano

domingo, 15 de junho de 2008

hit the road, jack!

Já faz 1 mês que estou na estrada.
Milão, Veneza, Roma, Geneve, Fribourg, Bern, Lausane, Chamonix, Barcelona, Paris, Amsterdam, Berlin, Estocolmo, Jönköping. Ufa! E ainda tem coisa pela frente!
Sozinha por falta de companhia. Às vezes é duro. Solidão forte. Muitas cabeçadas, erros, acertos.
Mas a gente aprende a conviver com a ausência, com a falta de proteção, com o inesperado e com as lições que o caminho nos dá.
E as pessoas sempre aparecem. Meio de surpresa, meio desajeitadas. E no final é troca, soma, multiplicação.
1 mês intenso, corrido, vivido.
E que venham os outros dois!